quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Quadragésima Linha

Emocionemo-nos
Cada dia alberga um passo de terna vontade de viver, de sentir, de partilhar.
Às vezes as palavras ecoam dentro do nosso cérebro, em silêncio procuram transcender os pensamentos e ouvir o coração. Os momentos nada mais são daqui a pouco do que meras recordações e agora eles já passaram, vividos ou não, experimentados ou não, partilhados ou não.
Às vezes por medo calamo-nos, reprimimo-nos, não vivemos... e nesse preciso momento todas essas oportunidades já eram... não dará para voltar atrás e ficam as palavras por dizer, os momentos por partilhar, a vida por viver... De repente vê-mo-nos a recordar o passado sem poder tocar-lhe, sem poder cheirá-lo, sentindo o que se sentiu, transformando o que não se aceitou, aceitando o que não se perdoou por não ter vivido.
Agora vivemos o presente, mas neste preciso momento enquanto revivo o passado deixei de vivenciar mais esta oportunidade. Deixemos para trás com amor, aceitação e perdão o que não podemos voltar a vivenciar, guardemos no coração o cheiro, o sabor, o toque, o sorriso, a paixão, a luz e a ternura de qualquer momento passado e deixemos que as emoções desses momentos iluminem o presente e sejam professoras do presente, para que vivamos o que não vivemos, para que partilhemos o que não foi partilhado, para que sintamos o que tivemos medo de sentir.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Trigésima Nona Linha

Somos iguais
Há muito que não escrevo... despreendi-me de tudo até das palavras.
Aos velhos tempos eu faço um brinde e enterro a garrafa, aos novos tempos eu felicito a sua tão bem vinda chegada.
Tudo está em mudança, nós estamos todos a mudar e o mundo muda connosco.
A beleza destas linhas têm nova conotação, as experiências do passado permitiram-me construir um castelo nas nuvens aqui na Terra.
Um dia compreenderemos estas palavras e nessa altura seremos felizes juntos.
Guardaremos os momentos de silêncio terno e o carinho da presença. A ausência não será mais sentida, mas acolhida pela saudade de estar próximo da outra metade, construindo um todo de ternura e cumplicidade.
O nosso coração falará baixinho na sinceridade de um momento partilhado, sentirá apenas a verdade da conquista conseguida e a verdadeira felicidade do despreendimento físico e da presença eterna da alma.
Somos todos gomos de uma mesma laranja, partilhamos os mesmos sentimentos, as mesmas emoções, os mesmos paradigmas, as mesmas alegrias e tristezas, mas cada um na sua caminhada e na experiência que a vida lhe confere.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Trigésima Oitava Linha

As teias da vida

Num sopro profundo
de imenso vazio
trilhamos pouco a pouco
caminhos na vida
onde teias finas de saber
são tecidas nos nossos passos
caminhamos num rumo de crença
num destino de luz,
de sol radioso.

Nas teias da vida
seguimos bosques de côr, de escuro, de nada
seguimos trilhos de dúvida e de arraso...
mas a luz que pelos ramos da existência
desenham fios de esperança no chão,
fazem-nos crer e querer
acreditar na chegada
ao futuro que se desenha nas linhas da mão.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Trigésima Sétima Linha

Dúvidas...
As dúvidas desenham medos e silêncios... fazem de nós presas fáceis na dissolução de se querer viver... Em vez de darmos dois passos em frente temos a sensação que andamos consecutivamente quilómetros para trás. Duvidar será sempre aquele momento de indecisão, de receio, de angústia, de incerteza, de infelicidade... É na linha ténua entre a dúvida e a certeza que encontramos a felicidade. A dúvida trará sempre certezas e as certezas trarão sempre dúvidas na bagagem. Que maior desafio se poderia querer da vida que não a capacidade de lidar com a escolha... pois esta é nem mais nem menos consequência de uma dúvida ou de uma certeza.
Vejo-me ao espelho dia após dia, infindavelmente acreditando que o cenário que está para além de mim será diferente, mas dia após dia o tempo não pára, nas minhas costas poderá continuamente existir um mesmo papel de parede, mas eu mudarei dia após dia... A dúvida efémera do que somos na verdade é sentida e não há resposta que não se obtenha quando se sente simplesmente. A mente interage apenas com esta realidade que pisamos, o espírito dá-nos as respostas da eternidade.
Podemos até duvidar, questionar o que fazer, entrar no devaneio frente a uma luta que parece não ter fim, mas a verdade será sempre só uma e essa teremos que procurar... não aqui mas algures lá em cima ou algures bem lá dentro.
São muitas as dúvidas que se apoderam do meu ser, que questionam o meu sentir, que absorvem o meu olhar... o tempo será sempre o meu melhor amigo a lidar com elas dia após dia de frente ou não para o espelho que reflecte a minha vida.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Trigésima Sexta Linha

Encontrar... algures
Já vai algum tempo que não testemunho os meus dias em palavras, não abrevio a efemeridade dos meus dias e o avanço estrondoso dos meus dias.
As caminhadas quebram-nos. Moldam-nos às novas características do caminho e levam-nos a outro percurso a ser feito... mas até lá caminho neste.
Aqui as folhas também caem, sente-se o frio. Respira-se o mar, bebe-se do horizonte oceânico e acredita-se nas novas fronteiras da nossa existência.
O desconhecido mantém-se esquecido e relembra-se passos dados numa outra existência, numa outra vida pelas calçadas degradadas dos lugares que teimam permanecer imunes à mudança.
Pensa-se em tudo o que se deixou em busca da diferença, do auto-conhecimento e crescimento pessoal. Descobrem-se novas flores mas também novos espinhos.
Dorme-se sobre uma cama, com uma almofada de experiências, de vontades e de esperanças que guardam os pós mágicos que de vez em quando esquecemo-nos possuir e eles ali ficam à espera de um novo respiro nosso, de uma nova oportunidade de voltarem à sua origem.
Vôo como sempre voei, vejo o caminho que percorro e as estradas que se desenham. Estou lá em baixo vivendo sobre o físico e sentindo tudo o que é de sentir.
Afinal muitas coisas mantêm-se iguais (mas amadurecidas), outras são (re)novidades e (re)vontades de voltar a vivenciar determinados momentos, ganhar forças e partir.
Um dia também partirei deste lugar, irei parar noutro, talvez o mesmo de alguns dias meus do passado, na busca da correcção e do seguimento da Vontade eterna de viver. Mas depois de gurdar este excerto da minha história não saberei do resto do meu dia, pois o Destino não nos mostra todo o caminho, vai-nos mostrando.
Algures em ponta delgada, este ponto oceânico que teimam chamar de delgado e em ponta, não associo em nada ao conceito, embate no mar, vai-se dessipando lentamente. É delgada na verdade planamente falando. encontra o mar, encontra-se a ela própria. É isso que cá faço, encontro-me.

domingo, 24 de agosto de 2008

Trigésima Quinta Linha

Mudanças...
As mudanças ocorrem sempre. Sejam elas bem vindas, ou não, simplesmente sucedem-se umas às outras como o vento que chega, por tudo passa e vai avançando cada vez mais fraco até se dissipar no horizonte mas por onde passou muitas coisas alterou inclusive estados de espírito, tornando-nos densos de misericórdia... As mudanças quando surgem devastam pelo positiva ou pela negativa. Na maioria não são aceites ou então são super questionadas. Vence o "porquê...". No entanto quando estas se dão e são negadas, porque afinal de contas não estamos preparados ou criamos demasiadas expectativas, é dificil ultrapassar, aceitar, etc, etc, etc... O cansaço surge, a situação espera e desespera. O melhor é mesmo dar um passo à frente e aceitar a "mudança" eterna do destino e esperar pela resposta eterna do momento quando ela tiver que surgir. Decido dar esse passo, confiar na vida e deixar que as pedras rolem no mar no vaivém das ondas deixando-se levar tranquilamente pelo caminho que lhes for traçado.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Trigésima Quarta Linha

Será tudo?... Será isso?...
Tudo tem um dito final... a ida à loja, o atravessar a rua, o arrumar a casa, o estudar, o acabar um curso... a mudança. Todos lidamos com mudanças na nossa vida, umas mais fortes que outras, mas difíceis ou até mesmo inesperadas, mas dão-se. A dificuldade de lidar com uma mudança é a resistência que se gera, tudo parece realmente não se encaixar, como se algo não estivésse certo e tudo o que se faz até que essa mudança se dê torna-se inseguro e com pouca visivel... como o nevoeiro... Tudo porque para que a mudança se dê, para além da decisão, existe o tempo e esse é por vezes o maior aliado ou o mais constrangedor, podendo facilitar ou se resistirmos... dificultar. Pois bem, já várias mudanças se deram na minha vida precisamente, mas uma mais acabou de surgir e vai concretizar-se, assim escolhi e não é nada mais do que aquilo que quero, aquilo que sinto ser certo para mim.. é o meu caminho por agora.
Já à algum tempo que as palavras não me surgiam, deram lugares a acontecimentos práticos e à expressão de sentimentos.. agora apenas silenciosamente teclo, escrevendo aquilo que me vai na alma... reticente e insegura... triste e solitária... mas certa do que sinto... Será essa a minha luz?...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Trigésima Terceira Linha

A ti "bebé" levo o que sinto...
Amar... sentir-te doce líbido no toque dos teus lábios nos meus, no terno beijo de aconchego e nos densos arrepios que me penetram a alma... sentimento profundo que imensamente coabita no coração com alegrias e tristezas, desgostos e solidão. Alimentas o dia de luz e a noite de calor, enches as nuvens de existência e o céu de anjos. Amar intensamente aquele que não é nosso, não nos pertence mas nos completa, nos preenche... Que loucamente nos leva à imensidão do pensamento, ao aquecimento de todas as células... "procura-me... sei que estou algures dentro de ti..." em busca de mais e mais sorrisos, de olhares, de abraços, de presença... Palavra quente que penetra o significado da nossa essência e prevalece sobre todas as coisas, todos os sentimentos, todas as dúvidas.
Imagino o branco pairando sobre o ar que respiro e vejo penas sobrevoando o meu ser. Levemente cortam o espaço emerso de vazio, pairando até mim, rodeando-me de paz e de clareza. Vejo tudo, apercebo-me de tudo, sinto tudo o que o meu coração consegue alcansar e apercebo-me dessa grande arma de que dispomos. Nada é tão certo como o que nos preenche o peito e o que o alimenta, esse pequeno grande sobrevivente, o amor! Dou-o livremente a todas as criaturas, a todos os seres, distribuo por todos os corações, toco em todos os rostos e ilumino os seus sorrisos porque deixo que ele, tão grandiosamente habite em mim. Obrigada por seres o perfume que a rosa da vida emana sobre mim todas as manhãs e enche-me a alma do seu suco.
Quanto a ti... já sabes procura-me apenas, se sentires o amor sentir-me-ás junto a ele...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Trigésima Segunda Linha

Por ai... caminhando e observando
Olho cada grão de pó, cada pequeno ser de pólen, cada folha que brota, cada flor que nasce, cada passo que dou no chão. Observo cada direcção que cada um toma, cada escolha que faz e que lhes é feita, que tão subtilmente nos leva ao devaneio da sua existência e à casualidade do momento. Apercebo-me que cada milimetro que percorrem é uma exactidão do seu percurso e do meu percurso.
Para tudo há uma razão plausível, uma história inerente, um silêncio terno de conhecimento. Os acasos são meras possibilidades de quem não acredita ou tem medo de aceitar as mensagens que lhes estão sendo dadas. Cada pequena porção de nós e do mundo pretendem contar uma história e levar cada espaço, cada ser ao lugar que lhe pertence. A luz guia-nos inteiramente nesse vazio que vai do nascimento à morte. Vazio esse que se vai preenchendo com aquilo que somos, que nos completa, que nos desenha. Vazio esse que se torna intenso de qualidades e de significado. Vazio que se enche de ensinamentos, de erros, de respiros, de lágrimas, de sorrisos, de palavras, de gestos, de histórias, de momentos, de silêncios, de pensamentos, de física e química, de matéria, de lições, de objectivos, de partidas e chegadas, de corações e sentimentos, do nada e do tudo, dos cheiros, das cores, do tacto, de sensações, de perguntas e respostas, de pegadas, de mtos passos!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Trigésima Primeira Linha

Por ai... caminhando
O percurso em torno do saber continua, sobre pedras, vidros, terra e esterco vou desembocando nas verdades que me compõem e completam cada célula que me define. Aposto em cada segundo do pensamento, aprendo com todos os segundos despreendidos dos outros que me rodeiam e lanço energia ao ar para que penetre nos seus corações e desenhe subtilmente o caminho de cada um inclusive o meu... Dúvida atrás de dúvida vou chegando às certezas que me deixam dar mais um passo de vida, de esforço, de conquista e de esperança.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Trigésima Linha

Gssss!!!
A eternidade da tua ausência leva a procura desse lugar amoroso que povoa a infinita ceara de trigo dos extensos campos da alma. Faz-me percorrer imensos momentos de passos atrás de passos na estrada sófrega de luz que coabita no mais fundo poço do meu peito, que em silêncio leva as águas perdidas de uma corrente imersa do pensamento em busca de um lago terno onde tu habitas.
Ninguém serás até ao momento em que a minha noite vira dia e as nuvens que me percorrem encontram o azul do céu, serás lembrança do nevoeiro que nos dias repletos de vazio e insignificância me perseguia. Falarás no ar que de mim respiras, do cheiro que de mim emanas, das palavras que para ti profiro, dos toques que lamentam a tão prolongada ausência do nada e choram o tão esperado futuro eterno dessa efemeridade.
Sentiremos juntos a cobrança do tempo e o desejo frenético de um beijo que em silêncio expelirá as doces e constantes memórias sobvalorizadas da matéria que nos compõe. Memórias que não são mais que frases feitas falhadas do pensamento e vontades imaginárias de se sentir os dois sendo um só corpo.
O futuro por nós desconhecido nada mais é senão o amanhã e o depois de amanhã, soluços da nossa existência neste percurso artilhado de bombas e chupa chupas.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Vigésima Nona Linha

Tu e Eu...

"Eu tenho o tempo,
Tu tens o chão,
Tens as palavras
Entre a luz e a escuridão.

Eu tenho a noite,
E tu tens a dor,
Tens o silêncio
Que por dentro sei de cor.

E eu, e tu,
Perdidos e sós,
Amantes distantes,
Que nunca caiam as pontes entre nós.

Eu tenho o medo,
Tu tens a paz,
Tens a loucura que a manhã ainda te traz.

Eu tenho a terra,
Tu tens as mãos,
Tens o desejo que bata em nós um coração.

E eu, e tu,
Perdidos e sós,
Amantes distantes,
Que nunca caiam as pontes entre nós."

Pedro Abrunhosa

segunda-feira, 31 de março de 2008

Vigésima Oitava Linha

Saber amar

Amar o próximo é algo profundo e por muitos não sentido, querer o próximo como a si mesmo leva-nos a ponderar que poder temos na vida de possuir algo ou alguém quando ninguém é de ninguém, quando esse algo pretendido nada mais é do que um bem adquirido que fica neste mesmo mundo, o material... Por vezes as atitudes que tomamos são reflexos dos nossos sentimentos, amar o próximo é investir para que se possa compreender o que vai na alma desse alguém...
Ver o próximo, tudo o que não se vê a olho nu, leva-nos a perceber o sentido de amar e respeitar... Cada um de nós precisa do seu espaço temporal e físico para conseguir sentir a vida, lidar com ela e ser ele mesmo.
Procurar compreender os sentimentos dos que estão ao nosso lado ou que deixam de estar porque assim optaram é uma riqueza emocional e leva-nos a encontrar a paz interior que se desconhece possuir...
Os rumos tomados na vida existencial são momentos de procura de nós mesmos e apenas de nós, não de alguém ou para alguém. Acredito que o pensamento profundo do que somos para nós mesmos e para os outros faz-nos crescer, compreender e a (re)aprender a amar.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Vigésima Sétima Linha

O mistério da vida

Olho o céu translúcido onde sobre mim voam os anjos do amor, de corpos intensos de luz, de rostos repletos de compreensão que brilham como esmeraldas repletas de ternura. Continuo olhando para esse lugar tão vazio de matéria e tão cheio de significados.
Olho as flores que estão sob o meu corpo deitado no relvado repleto de cor, vejo-as brotar lentamente sob o luz do sol, cantando o jubileu desse momento intenso a que assisto.
Respiro profundamente o ar puro de sentimentos e absorvo por cada célula do meu corpo a mensagem da vida.
Palavras que se ligam por letras e linhas, palavras que nos descobrem o pensamento como um véu de seda que desliza sobre cada lágrima que desliza pela alma...
Olho cada pedaço do meu corpo e aprendo a lição terna da vida, o sentir... sinto-me em harmonia eterna com o mundo que me gerou e com a realidade a que pertenço, o alto dos céus.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Vigésima Sexta Linha

Sinto saudades...

Sinto saudades do eterno ar que me bombeia,
Da vida extasiante que desconheço,
Dos momentos passados aí... contigo.
Sinto saudades dos cheiros de criança,
que residem fortunadamente na minha memória,
Dos sonhos bons que desconheço de olhos fechados,
Das alegrias eternas de estar aqui.
Dos passos acompanhados dos teus,
Dos sorrisos ingénuos da alma
Que me habita...

Este sentimento de nostalgia
embriaga-me com o teu sorriso,
faz-me procurar a tua luz na minha luz,
faz-me querer que esta saudades vazia
Possa ser preenchida no calor do teu olhar...
Olho a Lua intensa de mistérios,
Vejo-me sentida neste lugar de nada
Neste lugar de tudo em Lua Cheia...
Anseio pela palavra jamais dita
Num futuro que se limita ao Agora da minha existência...
Será esta saudade a lembrança de que sinto?
Será esta saudade a verdade eterna de ti?
Será esta saudade simplesmente eu procurando por mim,
Sim... só o poderá ser... não?...

quinta-feira, 20 de março de 2008

Vigésima Quinta Linha

O que quererei eu...
Acordar a pensar o que será tudo isto por que passámos... às vezes nem queremos saber, na verdade o melhor é nem tentar adivinhar, surgem sempre surpresas...
Depois vôo na imensidão do céu, na busca insessante da alma que caminha pairando no destino e leva-nos no caminho do sonho intenso de uma noite dormida nas palhinhas do aconchego e na paz da profunda ternura que emerge dos nossos póros... Voámos... como voámos sobre campos e campos de experiências e sobre flores e árvores de companheirismo na procura daquele lugar que é só nosso, sem nome, sem número mas infinitamente nosso. Vemos cores e cores de obstáculos, procuramos o amarelo desperado, o rosa amoroso, o vermelho apaixonante, o azul pacifico, o verde esperançoso, o branco solitário, o roxo espiritual, o cinzento cansado e até mesmo o preto insensato... Como se fossem seres de imensas caracteristicas que nos esperam pacientemente nas lágrimas que tao dificilmente procuramos esconder. Surgem estas como pranchas de ski que deslizam face abaixo, libertando-se da dor, agarrando-se ao destino e rezando pela luz eterna do Senhor.
Todos o fazemos... na busca de respostas... eu ainda espero, um dia hão-de bater à minha porta, aí as cores que me acompanham serão eternas alegrias do meu ser.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Vigésima Quarta Linha

Pensando praqui na minha prática diária...

Estes últimos dias tem sido ver e fazer linhas emais linhas, e mais manchas, fica tudo tramado... Tramada estou eu, mas enfim... este é apenas mais um dia de intenso esforço em trabalhar alguma coisa e construir mais linhas e outras linhas... Sim, porque este tipo de embriaguês dá que falar... eu vez de andar às curvas ando aos ziguezagues pela força das linhas angulares e das prependiculares que me tenho cansado de traçar...
A vida é realmente uma arquitectura fantástica. Um dia cheguei a essa conclusão com uma pessoa enquanto debatiamos que sentido poderia ter a arquitectura no nosso dia a dia, como a prática da mesma podeira ultrapassar o regime processual e de entendimento do espaço fictício que tinhamos que criar. Projectos enraizados apenas em papel... assim, tornou-se importante perceber e porque não fora dele? é verdade, intensos momentos de "nada" como uma folha de papel em branco que grita para que desenhemos esse mesmo "nada" nele. As linhas meio trémulas começam a surgir e a mente de repente impressiona-nos a nós mesmos. Eu trespasso isso para o dia a dia de todos nós... de um momento para outro 'voilá' faz-se luz, aí é montada toda a instalação eléctrica!
A vida é assim mesmo como a arquitectura! Querem ver? pois bem... estás em casa, apetece-te apanhar ar, abres a janela, porque não podes ir à rua e ficas logo apto a observar o "mundo lá fora", respirar ar fresco, levar com o sol na face e ouvir os passarinhos, quando os há. A vida também é assim, muitas vezes nos sentimos aprisionados por uma determinada circunstãncia, um problema, uma aflição, que a vontade é não mais que respirar outro ar, sentires-te livre e suspenso. O que fazes? nada como refrescar as ideias!´
Os obstáculos no passeio enquanto caminhas parecem apenas erros de concepção, labirintos confusos de materiais e direcções, assim é a nossa vidinha mais uma vez... confusa, cheia de obstáculos... mas tal como conseguimos percorrer esse passeio porque temos que passar de um ponto para outro, também o podemos e devemos fazer nas situações da vida, a não ser que se procure outro caminho para seguir...
Que filosofia maluca de relacionar duas áreas como estas, a vida e a arquitectura, mas estão mais que ligadas, formam um elo imenso de compreensão do nosso viver.
Pensem nisso...


terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Vigésima Terceira Linha

Dizer Não é uma oportunidade, ouvi-lo uma possibilidade
Porque nos é tão fácil por vezes dizer que não a alguém e até a nós mesmos quando não queremos alguma coisa material por uma determinada razão? Mas porque será tão dificil dizermos não a nós mesmos quando as duvidas surgem, como o "não me parece...", "sinceramente não sei...", "é melhor não...", quando o nosso coração nos grita para dizermos que sim, que devemos arriscar, que temos que agir e considerar as hipóteses e os sinais que nos são entregues perante cada situação. Ás vezes é tão mais fácil enganarmo-nos a nós próprios e aos outros dizendo sim, "sim eu sei...", "claro que sim, prefiro não agir"... Depois começa o ego a falar por nós "não faças isso, não é seguro", "não arrisques podes levar um não", "para quê tentar, não vale a pena"... tantas mas tantas possibilidades de o não surgir para todas as situações. E ouvir um não de alguém, que medo tremendo de se ser negado, de perceber que não é para nós. Faz parte do nosso crescimento, saber sermos suficientemente humildes para aceitar o que os outros têm para nos dizer. Na verdade, há riscos que devem ser tomados, só com eles poderemos evoluir. Sabe sempre bem ouvir um sim, sobretudo quando se trata de sentimentos. Sim, sim sim!! Mas e o não, faz parte... é porque simplesmente não era para nós, não eram assim que as coisas tinham que ser. Lutar por males desnecessários simplesmente porque achamos que aquele é o melhor para nós, definitivamente não vale de nada, para além de se perder energias perde-se o juizo na maioria dos casos, aí acontecem coisas de que muitas vezes não nos orgulhámos nem de perto! Evoluir é aceitar o que cada um tem para nos dar e aprender a viver com isso porque cedo as respostas surgem e voilà! faz-se luz!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Vigésima Segunda Linha


A dita caminhada... e escura


Ai... suspiro gotículas de ansiedade... Que busca temos afinal que fazer nesta vida?!... Acredito nisto, naquilo, naquel'outro.... mas afinal que caminho é esse.... vamos caminhando, fazendo percursos de incerteza e sem grandes convicções vamos andando e andando e andando... mas há uma altura em que o raio do caminho é mais tenebroso que a noite de lua nova no mais escuro dos becos... o dito túnel de que todos falam "há sempre uma luz no fundo do túnel"... bla, bla, bla... mas ele não deixa de ser escuro e assustador... querer ar para se respirar e o que se sente é apenas aflição e o batimento do coração que parece mais assustado que nós, que se pudesse já se teria colocado a milhas à muito tempo... mas não, está-nos preso ao peito e bate arduamente na nossa passagem por esse sítio esquesito e desprovido de cor... Esses são muitos dos nossos dias, dúvidas existenciais!!!
Agora olhando o que o mundo tem para nos dar, porque nos queixamos tanto? É tudo tão grandioso e tão lindo! E sim, a fase da lua nova é como o próprio nome diz, uma fase, e os becos... bem, esses só existem porque são as miragens que a maioria das vezes fazemos questão de criar ilusoriamente frente a uma situação da qual não sabemos como sair. Todos os becos têm saida, mesmo! Já me o provaram, a partir do momento que as soluções nos são dadas e as quais temos que agarrar!!
Agarrem a vida com unhas e dentes e quando acharem que estão num beco, durmam sobre o assunto, há sempre como resolver as coisas a bem, sempre a bem.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Vigésima Primeira Linha


Cores
Penso no amarelo quando estou feliz, alegre e completamente desfeita em sorrisos. Olho o sol e vejo como bonito pode ser o nosso dia e quão intensa pode ser a luz que nos ilumina!
Penso no branco quando busco paz interior e quando me sinto completamente conectada com os anjos e com o mundo, sinto-me em plena harmonia comigo mesma, é fantástico!
Penso no verde em busca da esperança que tantas vezes parece dissipar-se, em busca da cor intensa que preenche o meu mundo de origem, o verde da relva, da paisagem, o verde que envolve o mundo natural que tão intensamente vive no meu sangue!
Penso no azul! Que intenso que o azul é nos nossos dias, o ceu que nos cobre tão carinhosamente! O mar azulão, reflexo do céu na terra engana-nos bruscamente a vista mas tão intensamente refresca o coração!
Penso no laranja quando a energia que me cobre é maior que eu, apetecendo-me abraçar o mundo numa única inspiração!
Penso no vermelho, cor do amor e da paixão. Despisto-a dos meus dias mas na verdade é ela que enche todos os vazios do meu corpo, e as veias de vida e sentimento!
Penso no lilás quando me conecto com o Universo e espirtualmente falo com o Amor Universal, iluminando cada gesto de sabedoria e cada pensamento intelectual.
Conecto todas as cores numa só e sinto-me completa e cheia de vida! Que melhor sensação poderemos querer que não sentirmo-nos vivos e amplamente sentidos!
São muitas as outras cores que nos sustentam como seres, possuem a mesma importância e provocam em nós outro tipo de reflexos que sinuosamente penetram ao pormenor o nosso dia a dia. Todas valem a pena, todas tem capacidades únicas de nos embelezar e preencher.
Pintemos cada dia nosso, cada palavra dita, cada pensamento surgido e sintamos a cor que o nosso coração nos permitir sentir.